Última atualização em 06/12/2016

Insulina e resistência à insulina: um guia prático


equipamentos médicos

A insulina é um hormônio importantíssimo que controla inúmeros processos metabólicos no nosso organismo.

Infelizmente, problemas com esse hormônio comprometem a saúde de milhões de pessoas atualmente por serem o motivo do desenvolvimento de várias doenças graves.

Há casos em que as células do corpo simplesmente param de responder aos comandos da insulina. Esse distúrbio é conhecido como resistência à insulina – um distúrbio assustadoramente comum.

Para se ter uma noção, um estudo mostrou que 32,2% da população estadunidense pode ter resistência à insulina. Esse número pode aumentar para uma taxa de até 70% em mulheres obesas e 80% em outros grupos de pacientes.

Além disso, a estimativa é de que um terço das crianças e adolescentes obesos da Inglaterra também tenham esse distúrbio (1, 2, 3, 4).

Todos esses dados nos trazem um panorama desastroso sobre a condição da saúde da população mundial. Talvez você mesmo possa ter esse distúrbio sem nem saber disso.

Entretanto, a boa notícia é que é muito fácil reverter esse quadro simplesmente mudando pequenas coisas na dieta e no estilo de vida. Nesse artigo, veremos como isso é possível.

Explicando a resistência à insulina

A insulina é um hormônio secretado no sangue pelo pâncreas.

Sua principal função é controlar a quantidade de nutrientes que circulam na corrente sanguínea. Ainda que ela esteja mais envolvida no controle dos níveis de açúcar no sangue, ela também afeta o metabolismo de gorduras e proteínas.

Quando ingerimos carboidratos, o nível de açúcar no sangue aumenta. Isso é detectado pelo pâncreas, o qual libera insulina na corrente sanguínea.

Então, a insulina avisa às células do corpo para que peguem a glicose do sangue e armazenem-a, fazendo com que a taxa de açúcar no sangue diminua novamente.

Esse processo é importante pois grandes quantidades de açúcar na corrente sanguínea podem ser tóxicas e danosas, podendo até levar à morte, se não tratadas.

No entanto, devido a muitos fatos que serão discutidos mais a frente, às vezes as células param de responder às ordens da insulina como deveriam fazer. Em outras palavras, elas se tornam resistentes a esse hormônio.

Quando isso acontece, o pâncreas se sobrecarrega tentando produzir ainda mais insulina para tentar dar conta desse problema.

Aí, o nível de insulina no sangue aumenta drasticamente, causando um distúrbio chamado de hiperinsulinemia.

Isso vai ficando pior com o tempo. Ao passo que as células vão se tornando mais e mais resistentes à insulina, o nível de açúcar e da própria insulina no sangue aumenta cada vez mais, até que chega um ponto onde o pâncreas fica tão danificado que não consegue mais produzir insulina direito.

A partir disso, o nível de açúcar no sangue dispara – aí está a diabetes tipo II. A resistência à insulina é o principal fator que desencadeia essa doença, a qual afeta cerca de 9% da população mundial (5, 6,7).

Quais são as causas da resistência à insulina?

homem comendo

Muitos são os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da resistência à insulina. O principal deles é o excesso de gordura na corrente sanguínea (8, 9, 10).

Vários são os estudos que comprovam que uma grande quantidade de ácidos graxos no sangue impede que as células do corpo respondam adequadamente aos comandos da insulina.

Os metabólitos dos ácidos graxos (ou seja, os produtos formados pelo metabolismo dessas gorduras) se acumulam no tecido muscular, prejudicando os mecanismos de sinalização do funcionamento desse hormônio (11, 12, 13).

O aumento de ácidos graxos no sangue, por sua vez, é causado por excesso de gordura corporal. Obesidade, ganho de peso e o hábito de comer mais que o normal são associados fortemente ao desenvolvimento de resistência à insulina (14, 15, 16, 17).

O acúmulo de gordura abdominal pode ser particularmente perigoso. Esse tipo de gordura libera ácidos graxos na corrente sanguínea, além de hormônios inflamatórios que também podem fazer com que suas células se tornem resistentes à insulina (18, 19, 20).

Mas, atenção: pessoas magras também podem desenvolver essa síndrome metabólica. A resistência à insulina realmente é muito mais comum em pessoas com sobrepeso, no entanto, também pode ocorrer em outros casos (21).

Existem outros fatores que podem levar à resistência à insulina, por exemplo:

  • Consumo excessivo de frutose (22, 23, 24);
  • Aumento do stress oxidativo e inflamação corporal (25, 26);
  • Sedentarismo (27, 28);
  • Desequilíbrio na microbiota intestinal (29).

Há também alguns fatores genéticos e sociais que têm de ser levados em conta. Negros, hispânicos e asiáticos, por exemplo, são grupos de risco mais elevado (30, 31, 32).

Como saber se você é resistente à insulina

O método mais preciso para analisar a resistência à insulina é um teste chamado HOMA-IR, calculado a partir das dosagens de insulina e glicose no sangue em jejum.

Uma outra forma mais direta para a identificação da resistência é o teste oral de tolerância à glicose, realizado a partir de várias coletas de sangue, em jejum, e alguns minutos depois da ingestão de glicose.

Como já mencionei, existem outros indicadores, como a obesidade e excesso de gordura abdominal. Há também uma doença cutânea chamada acantose nigrans, caracterizada por manchas escuras na pele, que também pode ser um sinal de resistência a insulina.

Além disso, baixos níveis de HDL (bom colesterol) e altos níveis de LDL (mau colesterol) também são associados a esse distúrbio (33).

Resistência a insulina, síndrome metabólica e diabetes tipo II

homem na balança

A resistência à insulina é um forte marcador de duas complicações: síndrome metabólica e diabetes tipo II.

Antes de tudo, o que é a síndrome metabólica? Resumidamente, é uma série de fatores associados com diabetes tipo II, doenças cardiovasculares e outros problemas.

Esses fatores incluem baixo HDL, alto LDL, hipertensão arterial, triglicerídeos altos, obesidade abdominal e altos níveis de açúcar no sangue (34).

Sendo assim, é possível evitar a síndrome metabólica e a diabetes tipo II apenas revertendo o quadro da resistência à insulina.

Resistência à insulina e doenças cardiovasculares

A resistência à insulina também é associada à doenças cardiovasculares, as quais são a principal causa de morte no mundo todo (35).

Aliás, pessoas resistentes à insulina ou que possuem síndrome metabólica têm um risco 93% maior de ter doenças cardiovasculares (36).

Existem também inúmeras outras doenças que andam junto à resistência à insulina. Isso inclui fígado gorduroso, síndrome do ovário policístico, Alzheimer e até mesmo câncer (37, 38, 39, 40).

Como evitar ou reduzir a resistência à insulina

Vamos à parte boa: é muito fácil reverter ou até mesmo evitar a resistência insulina com alguns pequenos ajustes do estilo de vida. Aqui estão algumas dicas:

  • Faça mais exercícios – o efeito é quase imediato (41, 42);

  • Perca gordura abdominal;

  • Pare de fumar (43);

  • Reduza o consumo de açúcar, principalmente açúcar adicionado artificialmente (44, 45, 46);

  • Prefira comidas naturais, não processadas;

  • Consuma ômega-3 (47, 48);

  • Faça suplementação de berberina (um composto obtido a partir de uma planta chamada bérberis) e magnésio (49, 50);

  • Durma melhor (48);

  • Reduza o stress, praticar meditação pode ajudar também (49, 50);

  • Doe sangue – importante principalmente para homens e também mulheres na menopausa (51, 52, 53);

  • Faça jejuns intermitentes (54).

Dietas low-carb e seu efeito na resistência à insulina

carne

Abrindo parênteses para explicar melhor uma das maneiras mais efetivas de tratamento da resistência à insulina: dietas low carb.

Segundo estudos, dietas que restringem o consumo de carboidratos têm um efeito extremamente positivo na redução dos indicadores da síndrome metabólica, além de prevenir diabetes tipo II – tudo isso por reduzirem a resistência à insulina.

Não é milagre, é ciência (55, 56, 57, 58, 59).

Para finalizar…

Nada disso é novidade. A maioria das dicas dadas nesse artigo praticamente todo mundo têm conhecimento e todo mundo sabe que funcionam, mesmo sem saber do embasamento científico.

Então por que não começar a segui-las hoje mesmo? Não é difícil.

Ainda que você não possua resistência à insulina nem outro indicador de síndrome metabólica, ser saudável sempre vale a pena.

Traduzido e adaptado de Authority Nutrition.

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