Última atualização em 11/07/2017

12 gráficos que mostram por que engordamos


1. Nunca comemos tanta junk food

Junk food, em tradução livre “comida lixo”, é o que você provavelmente chama de “porcaria”. São aquelas comidas industrializadas quase totalmente artificiais e nada saudáveis, como bolachas, salgadinhos, batatas fritas e chocolates.

Não é novidade que essas comidas não fazem bem a ninguém. A triste notícia é que mesmo assim, o consumo desses alimentos aumentou vertiginosamente nos últimos 120 anos, como observa-se no gráfico abaixo.

gráfico junk food

Fonte: Dr. Stephan Guyenet. Fast Food, Weight Gain and Insulin Resistance. Whole Health Source.

Lá por 1900, 93% das comidas consumidas pelos americanos eram feitas em casa. Atualmente, aproximadamente metade das refeições são feitas em casa, enquanto a outra metade vêm de restaurantes, os quais, em sua maioria, são de fast foods (“comidas rápidas”, ou seja, basicamente aquela mesma definição de “porcaria”).

2. O consumo de açúcar disparou

O açúcar é, sem dúvida, o pior ingrediente da dieta moderna.

Vários são os estudos que mostram que abusar no consumo de açúcar leva à resistência à insulina e ganho de gordura abdominal, além de aumentar o nível de triglicerídeos e de colesterol LDL (1, 2).

Há outras pesquisas que comprovaram também a existência de uma forte relação entre açúcar e diabetes tipo II, câncer e doenças cardiovasculares (3, 4, 5).

Além disso, açúcar é uma das substâncias que mais contribui para o ganho de peso, pois ele não é registrado pelo cérebro da mesma forma que outras calorias – ou seja, é só uma caloria “vazia” que nos faz comer mais ainda (6, 7, 8, 9).

Como mostrado no gráfico a seguir, fato respaldado também por outros estudos na área, o açúcar é uma das grandes causas da obesidade, e infelizmente vem sendo consumido cada vez mais na sociedade atual.

gráfico consumo açúcar

Fonte: Johnson RJ, et al. Potential role of sugar (fructose) in the epidemic of hypertension, obesity and the metabolic syndrome, diabetes, kidney disease, and cardiovascular disease. The American Journal of Clinical Nutrition, 2007.

3. As pessoas engordam mais nas férias que no resto do ano, e não conseguem emagrecer depois

Um estudo apresentou uma curiosa análise sobre o ganho de peso através das épocas do ano: durante as férias, a maioria das pessoas engorda mais que no resto do ano, proporcionalmente.

gráfico engordar nas férias

Fonte: Dr. Stephan Guyenet. Why do we Overeat? A Neurobiological Perspective. 2014.

O problema é que boa parte esses quilinhos a mais não são perdidos durante o ano, o que faz uma grande diferença a longo prazo. Isso já é o suficiente para levar a um ganho de peso considerável, se isso se repetir nos próximos anos (11).

Em resumo, o ganho de peso através dos anos de uma vasta parcela da população pode ser explicado apenas pelo descuido com a saúde durante aquele mísero mês de férias.

4. A epidemia de obesidade começou quando as diretrizes de dietas com pouca gordura foram lançadas

As diretrizes dietéticas americanas a favor das dietas low fat (“pouca gordura”) foram lançadas logo após a gordura saturada ser acusada (hipoteticamente) de causar doenças cardiovasculares, obesidade e colesterol alto, em 1977. Curiosamente, foi aí que a epidemia de obesidade que já se alastrava pelos Estados Unidos e pelo mundo todo piorou, como mostra o gráfico a seguir.

gráfico diretrizes de pouca gordura

Fonte: National Center for Health Statistics (US). Health, United States, 2008: With Special Feature on the Health of Young Adults. 2009 Mar. Chartbook.

(Confira toda a história das dietas low-fat aqui.)

É claro que esse gráfico não nos diz muita coisa, pois é um estudo que mostra apenas a correlação entre fatos, não a relação causa-consequência. Entretanto, o que temos absoluta certeza é que a hipótese que a gordura saturada faz mal é um mito derrubado por estudos randomizados e controlados, o que faz o gráfico tomar um certo sentido.

Fecho esse tópico com mais informações para você parar realmente de acreditar na benevolência de dietas com pouca gordura: comprovadamente, elas ficam muito abaixo de outras dietas (como a low carb, por exemplo) no quesito perda de peso e não previnem doenças cardiovasculares nem câncer (12, 13, 14, 15).

5. A comida está mais barata do que nunca

Um dos fatores que certamente contribuiu para o aumento da obesidade no mundo todo foi o barateamento da comida no mundo todo.

Como mostra o gráfico abaixo, o preço da comida despencou de 60 anos para cá – uma queda de praticamente 25%.

gráfico comida barata

Fonte: Dr. Stephan Guyenet. Why do we Overeat? A Neurobiological Perspective. 2014.

Não que isso seja ruim, obviamente que a comida precisa ser barata para atender às necessidades de toda a população, não só das classes mais altas. O problema é que algumas das comidas mais nutritivas têm um preço maior – carnes, por exemplo – e o que mais baratearam foram as junk foods.

Pessoas com um maior poder aquisitivo têm a possibilidade de escolher uma comida de verdade em vez de comprar porcarias. Agora, como esperar que pessoas mais pobres sejam saudáveis se a única coisa que lhes é acessível são “comidas lixo”?

6. Houve um aumento enorme no consumo de refrigerantes, sucos e outras bebidas doces

O cérebro é o grande centro de controle do nosso corpo. Todo o comportamento alimentar é regido por ele, inclusive o papel de cada caloria por nós ingerida.

Essas calorias são processadas de formas diferentes entre si – a proteína não segue o mesmo caminho que a gordura, que por sua vez não tem a mesma função que o carboidrato. Portanto, não é uma surpresa que o açúcar em forma sólida é processado de forma muito diferente que o açúcar líquido (16).

Sendo assim, quando você toma um refrigerante ou outra bebida doce, as calorias nele contidas praticamente não abaixam os níveis do hormônio da fome, ou seja, você vai ter de ingerir mais calorias para ficar satisfeito (17).

Além disso, alguns estudos mostraram que o consumo de uma única “porção” dessas bebidas doces por dia pode elevar o risco de obesidade em crianças em até 60% (19).

E, infelizmente, os sucos naturais de frutas não escapam dessa. Eles são tão danosos quanto refrigerantes (18).

No gráfico abaixo, perceba o aumento do consumo dessas bebidas, fato o qual pode ser associado à obesidade e outros problemas metabólicos.

gráfico consumo de bebidas doces

Fonte: ERS calculation based on USDA's 1977-78 Nationwide Food Consumption Survey (NFCS) data, 1989-91 and 1994-98 Continuing Survey of Food Intakes by Individuals (CSFII), and the Centers for Disease Control and Prevention's (CDC) National Center for Health Statistics 1999-2006 National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES).

7. Ter acesso a uma grande variedade de comidas faz você comer mais

Quanto mais comida à disposição, mais comeremos. Até mais do que nossos corpos precisam. Que problema!

Em um estudo, ratos foram divididos em três grupos: ao primeiro, foi dada uma ração saudável; ao segundo, apenas um tipo de junk food, e ao terceiro, uma grande variedade de junk food (20).

É claro que o grupo de ratinhos que comeu a ração saudável ganhou pouco peso, mas note a enorme diferença entre os ratos que tiveram acesso a apenas um tipo de comida lixo e os que tiveram um cardápio variadíssimo de porcarias. De longe, os últimos foram os que mais ganharam peso. Observe no gráfico:

gráfico variedade de comida

Fonte: Dr. Stephan Guyenet. Why do we Overeat? A Neurobiological Perspective. 2014.

Há evidências que isso vale para humanos também (infelizmente). Portanto… todo controle é pouco (21)!

8. O trabalho exige cada vez menos do físico – ou seja, menos calorias gastas

A falta de exercícios físicos é um dos fatores que podem contribuir fortemente para o desenvolvimento de obesidade.

Embora a prática de atividades físicas por lazer tenha aumentado com o passar dos anos, o trabalho agora já não é tão braçal devido aos avanços da tecnologia. Por um viés, isso é ótimo; entretanto, não podemos negar que são aproximadamente 100 calorias queimadas a menos diariamente de diferença entre o trabalho de antigamente e o trabalho de hoje, como mostra o gráfico abaixo.

gráfico trabalho menos calorias

Fonte: Church TS, et al. Trends over 5 Decades in U.S. Occupation-Related Physical Activity and Their Associations with Obesity. PLoS One, 2011.

9. O consumo de óleos vegetais refinados aumentou

gráfico consumo de óleos refinados

O tipo de gordura que usamos para preparar alimentos mudou drasticamente nos últimos 100 anos. Antigamente, a gordura utilizada era a saturada, na forma da banha de porco ou manteiga, geralmente. Essas gorduras quase caíram no esquecimento depois da guerra contra a gordura saturada que mencionei anteriormente, e o substituto foi o pior possível: óleos vegetais refinados. Observe no gráfico abaixo:

Esse tipo de óleo, como o de soja, o de milho e a margarina são péssimos para a saúde. Eles podem causar inflamações, as quais levam à doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, entre outros problemas; contém gorduras trans; ficam rançosos facilmente, etcetera, etcetera (1, 3).

10. O ambiente social pode afetar o quanto você come

O meio em que você está pode controlar a sua ingestão calórica. Por exemplo, há fortes evidências de que fazer uma refeição em grupo faz você comer mais.

De acordo com uma pesquisa feita em 2000, comer junto com outras pessoas pode fazer com que a sua ingestão calórica seja até 72% maior do que quando você está sozinho, ou seja, aproximadamente 300 calorias a mais em uma única refeição. Curioso, não? (22).

gráfico comer em grupo mais calorias

Fonte: Dr. Stephan Guyenet. Why do we Overeat? A Neurobiological Perspective. 2014.

E também existe uma pesquisa que comprovou o óbvio: no final de semana, as pessoas comem mais. O comportamento alimentar é uma coisa louca, mesmo (23).

11. Estamos dormindo menos

Quando falamos em nutrição e obesidade, não podemos nos esquecer de um ponto chave: o nosso sono.

O sono afeta fortemente o nosso metabolismo. Dormir mal é um dos fatores que mais contribui para a obesidade - é relacionado a um aumento de 55% no risco de obesidade em adultos e 89% de obesidade infantil. Além disso, pode ser responsável pelo aparecimento daquela famosa vontade de comer porcarias (24, 25, 26, 27).

Nas últimas décadas, a duração média do sono diminuiu entre 1 e 2 horas por dia. Há várias razões por trás disso, mas o excesso de luz artificial e o uso exagerado de aparelhos eletrônicos são dois dos principais fatores que contribuíram para essa redução.

gráfico dormindo menos

Fonte: Cauter EV, et al. The Impact of Sleep Deprivation on Hormones and Metabolism. Medscape, 2005..

12. O consumo de calorias aumentou

As causas da obesidade podem não ser relacionadas diretamente à ingestão de calorias, apenas; essa doença pode estar relacionada ao aumento do consumo de açúcar, de carboidratos, enfim. Mas um fato é inquestionável: o consumo de calorias aumentou muito nos últimos anos (28, 29).

gráfico consumo maior de calorias

Fonte: Dr. Stephan Guyenet. Why Do We Overeat? A Neurobiological Perspective. 2014. (Data from CDC NHANES surveys and USDA food disappearance data)

De acordo com alguns estudos, o aumento no consumo de calorias já é mais que o suficiente para explicar a epidemia de obesidade (30).

Entretanto, o que explica esse aumento? Essa é a questão: não devemos nos ater apenas no consumo de calorias por si só, mas sim no que nos levou a comer mais.

O nosso comportamento alimentar é todo guiado por hormônios: parece voluntário, mas não é. O jeito que a nossa dieta mudou durante os anos e o tipo de comida que comemos agora é o que realmente afeta o nosso peso e a nossa saúde. Confira mais aqui.

Traduzido e adaptado de Authority Nutrition.

Compartilhe:

Se estiver no celular, toque no ícone para compartilhar pelo Whatsapp:


Receba no seu e-mail ebooks de receitas e dicas para perder peso e ter uma alimentação saudável.